Minha história lidando com dor crônica pélvica

Me chamo Matheus, tenho 27 anos e criei esse blog para tentar ajudar pessoas que passam pela mesma situação que eu, e se sentem desamparadas pela medicina.

Eu sofro de uma dor crônica pélvica bem específica e rara desde que me lembro por gente na infância.
Desde que eu era criança e cheguei na puberdade, na idade em que os meninos conhecem seu próprio corpo, percebia que eu não conseguia me masturbar mais do que uma vez num período de 24 horas, pois ao tentar, eu tinha ereção, mas junto com ela imediatamente sentia sempre uma dor muito forte no meu penis, desde a base até a glande.

Eu cheguei até meus 22 anos achando que isso era normal, mesmo ouvindo piadas de amigos falando que faziam várias vezes, o que pra mim, não passavam de piadas.

O que eu não sabia, é que sim, era possível um homem ter ereção sem dor depois de já ter ejaculado no dia. E pior, descobri que homens não sentem dores em hipótese alguma, no máximo desconfortos por excessos, mas dores? Não é normal.

Eu descobri essa realidade óbvia numa conversa com um amigo, após ele diretamente me falar que tinha feito várias vezes naquele dia, em tom de brincadeira.
Após aquilo, confesso que entrei num período depressivo, pois me sentia injustiçado pela vida, ao mesmo tempo em que me sentia pior por me preocupar com algo tão carnal, eu me sentia sujo e envergonhado.

A dor que eu sinto, é a mesma dor que experienciamos quando fazemos musculação e o músculo no dia seguinte está todo dolorido, só que essa dor, ocorria justamente nessa região tão sensível.

Algum tempo depois dessa minha descoberta da minha patologia, procurei incansavelmente na internet casos como o meu; dor na ereção seguinte após ejaculação, e não encontrei um único caso sequer, seja em inglês ou em português. Todas páginas falavam em coisas muito simplistas, como problema na próstata, inflamação, infecção na próstata, coisas nesse sentido.

O problema maior, foi quando a dor evoluiu ainda aos meus 22 anos, pra uma dor que acontecia independentemente de eu ter uma ereção ou não; sempre que eu ejaculava, sentia pelas próximas 3-4 horas uma dor absurda do meu períneo até a ponta do penis, que me impedia de ficar de pé, ou de andar, pois piorava com a força da gravidade.
Antes, eu só sentia dor se ficasse ereto novamente, agora, tinha se tornado uma dor que permaneceria de qualquer jeito, se eu tivesse ejaculado.

Meses depois, percebi que ficar simplesmente de repouso após ejacular, em posição deitado virado pra cima, me ajudava, e foi o que sempre fiz desde então. Algo básico da vida, passou a me impedir de firmar compromissos, ou até mesmo de tomar banho imediatamente.

E a dor perdurar quase o dia todo sempre me deixava mais abalado, pois era um lembrete constante de que eu não era normal, de que eu tinha feito algo errado, e confesso que nunca tive coragem de falar sobre esse problema pra minha psicóloga na época, pois era um tema que nem eu sabia se tinha esperanças de melhora, imagine ela? Não fazia sentido pra mim desabafar com ninguém.

É normal que os homens tenham ereções mesmo sem vontade ao longo do dia, o corpo funciona assim, ocorrendo até no sono. Mas no meu caso, toda vez que meu corpo passava por esses períodos, eu sentia dor, estudando, dormindo, trabalhando, tomando banho, e todo dia eu vivia um gatilho, como se fosse vítima disso preso em meu próprio corpo.

Durante esse processo de entender minha dor e sua evolução, cheguei até a ir em dois urologistas, o primeiro, nessas consultas de R$120, me desdenhou, falou que “uma vez por dia está ótimo amigo” e ignorou totalmente minha reclamação de dores que me incapacitavam de uma vida normal, me senti humilhado, como um pervertido.
O segundo, onde era mais cara a consulta, cerca de R$350 numa clínica de urologia da minha cidade, me ouviu por 50 minutos contando os detalhes, e me examinou fisicamente, e disse que eu possuía varicocele dos dois lados do testículos, o que era muito incomum. Varicocele é uma condição onde as veias incham por dificuldade do sangue passar, e podem causar dor no escroto, e aparecem na adolescência, podendo ser indolor ou não.
O doutor me passou exame de espermograma com checagem de infecção na próstata, e disse que eu precisaria também de fisioterapia pélvica, onde até cheguei a ir numa consulta com a fisioterapeuta, mas não dei prosseguimento, eu senti que aquilo ali não ia resolver nada. Sobre o exame de espermograma, constatou-se que eu sou infértil em razão da varicocele, que aumenta a temperatura dos testículos, e o exame pra inflamação ou infecção da próstata, deram negativos.

Mas um belo dia, fiquei pensando sobre meu passado; Como é que eu adquiri essa condição?
E me lembrei que quando eu tinha lá pelos meus 7-8 anos, subi no muro de casa que é feito de grade de aço, enfiei as pernas entre as grades brincando, e perdi o controle, caindo pra frente batendo com meu períneo com todo peso do meu corpo nesse aço.
Me lembro claramente da cena, e de como senti um choque nessa região, fiquei muito assustado por uns 10 segundos com a dor, e logo passou bem rápido, segui meu dia normalmente, e não doeu mais.

Com auxílio da internet, descobri que esse trauma físico poderia ter causado lesões musculares e vasculares, mas na época nem contei isso pro médico, porque só descobri depois, um detalhe importante.

Pra piorar, tempos depois, comecei a sentir pra além dessas dores, uns choques, que nasciam justamente na região onde me acidentei, e esses choques aconteciam o dia inteiro sem razão alguma, e pioravam quando manuseava o penis, e até quando eu tentava dormir e juntava as pernas de alguma maneira, ou quando deitava pra baixo, que era a posição que sempre melhor dormi, e passei a ter que reaprender a dormir com um travesseiro entre as pernas hoje em dia.

Durou poucos meses essa crise de choques, mas ela me fez perceber uma coisa; passei a notar que meu problema poderia ser na verdade, vascular ou de nervos danificados pelo impacto, e não algo muscular como toda medicina me sugeria.

Dito e feito, recentemente, comecei a observar mais como essa minha região do trauma reagia, e descobri que de fato, pra além da varicocele, que fica no escroto, essa minha região do períneo (músculo abaixo do saco), especialmente do meu lado esquerdo, essa que é a musculatura que contrai e é responsável pela ereção e o orgasmo masculino, percebi em mim possui uns vasos mais grossos e sensíveis que do outro lado, e quando aperto, inclusive me dá esses choques que tive no passado.

Conversei bastante com a IA, a inteligência artificial, detalhando todos meus sintomas num texto gigante, e ela indicou que minha varicocele estaria causando uma pressão vascular pra além do escroto, até mesmo na região do períneo e nas suas veias já abaladas pelo trauma da infância, e que o nervo pudendo, que ali no períneo passa, estaria sendo pressionado pelos próprios músculos, que reagem naturalmente se micro contraindo, quando há dor nessas veias doentes.

Eis que, para uma grande reviravolta(!!!!), a bendita IA me sugeriu tomar uma medicação de teste; um medicamento para varizes comuns, também utilizado em varicocele, chamado ‘Diosmina Hisperidina’.
Comprei pra testar, e tomei por 5 dias, e pra minha grande surpresa, esse remédio, que age fortalecendo os vasos sanguíneos do corpo, auxiliando a circulação vascular, me curou quase que instantaneamente.

Fiquei abismado, em choque, chorei bastante, finalmente encontrei alguma evidência que acredito que nenhum médico teria cogitado em mim, a vascular, onde todos exames davam normal. A medicação portanto confirmou  que meu problema era sim vascular, ao menos em grande parte, e que nenhum médico suspeitou disso, dada tamanha raridade do meu caso na bibliografia medicinal, acredito que só uma ultrassom vascular na região do períneo é capaz de pegar.

Lembro que no passado, um urologista me pediu também esse exame de ultrassom com Doppler, e eu fiz, passou uma ultrassom no meu penis apenas, com ele flácido, onde não constatou-se problemas venosos, por óbvio. Lembro que na época fiquei pensando, qual seria utilidade de verificar flácido, se o problema acontecia com ele ereto? E por que averiguar sem eu ter ejaculado, já que minha ereção nunca foi um problema, e sim a dor após finalizar? Se eu não finalizar, não sinto dor. Pensei também que ele poderia ter abaixado mais a ultrassom nessa região pélvica, mas senti muita vergonha e só aceitei e saí com os resultados normais.

O que me incentivou a conversar com a IA, foi porque um dia específico, poucos dias atrás, ejaculei, e aquela sensação horrível que sempre sinto de dor, de peso, como se tivesse tomado uma porrada, mas que se esvai sempre em algumas horas, e me renovava em 24h, não saiu, fiquei cerca de 4 dias sem conseguir andar, sentar, fazendo tudo com muita cautela. E pior, a dor que era no penis, migrou pra justamente essa região esquerda do meu períneo, onde bati quando criança, fiquei em pânico e reuni os detalhes exatos para a IA.

Os dias foram se passando, e eu me medicando com essa Hisperidina, e diminuiu bastante essa nova dor, bem como todas outras que eu sentia, me senti curado, confesso que foram os dias mais felizes dos últimos tempos ter tido essa conquista, não pela questão carnal como pode pensar quem lê, mas por meramente poder viver, seja antes e depois de um ato normal da vida, sem dor, poder tomar um banho, poder caminhar, poder dormir. Dormir pra mim sempre foi uma dificuldade.

Mas infelizmente, no 5º dia de tratamento, tive que interromper a medicação Diosmina Hisperidina, pois comecei a ter dores de cabeça muito fortes, que me impediram de dormir por 2 dias seguidos, seguidas de muito enjoo. Hoje fazem 72h que interrompi a medicação, e ainda sinto enjoo e dificuldades de me deitar sem sentir dores de cabeça. Estou muito preocupado inclusive, espero que eventualmente passe.
A questão é que essa medicação muda como o fluxo sanguíneo acontece no corpo todo, não só na pelve onde é meu problema, e infelizmente, em mais um caso raro, não me adaptei a essa medicação, e sinto até que corri risco de vida tomando ela. Um grande azar, pois não vi quase nenhum relato assim com uso dessa medicação que me ajudou tanto, e tive que abandonar.

Como não tenho condições financeiras de buscar ajuda médica no momento, converso com a IA, que me incentivou dizendo que certamente uma mera cirurgia de varicocele, despressurizaria bastante meus vasos sanguíneos de toda essa minha região pélvica, e que as chances dela ocasionar os mesmos efeitos do remédio são muito grandes. Confesso que não tenho muita fé, pois são regiões distintas, mas que se realmente funcionar, será minha salvação pra tamanha humilhação que sinto preso nesse corpo.


Atualmente sou formado, tenho duas faculdades, mas sou desempregado, e estou buscando emprego justamente pra custear essa cirurgia, que orcei com bons médicos em torno de 13 a 20 mil reais. Infelizmente a que se oferece no SUS, é uma cirurgia comum que não é recomendado que eu, com problema de traumas e nervos sensíveis faça; descobri que preciso realizar a chamada microcirurgia de varicocele, que é realizada através de um microscópio pelo cirurgião especializado.

Vou atualizando o blog conforme os tempos passam, se eu descobrir alguma evolução ou solução, vou compartilhando.
 
Espero que esse meu relato, ajude alguém que passe pelo mesmo problema que o meu, para que tenha algum parâmetro de onde começar, pois eu fiquei 5 anos no escuro, sem saber o que tenho.

- Matheus.

Caso queiram me contatar para dúvidas, conversas e sugestões:
(matheus.dribeirocontato@gmail.com)

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